quinta-feira, 29 de março de 2012

INSPIRAÇÃO






Quando era miúda, da janela do meu quarto avistava uma grande colina, onde parte do ano observava vacas e ovelhas na sua rotina pastorícia. Era uma paisagem muito bonita e algo rara quando se vive tão perto de Lisboa mas, na altura, não tinha consciência disso. As horas que eu passava ali, com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados, não eram tanto de contemplação mas mais de “alucinação”. Imaginava que, para além daquele monte, vivia algures uma menina como eu, cheia de ideias e fantasias mil que o mundo dos crescidos desvalorizava ou dizia não serem possíveis.

No mundo real nada é simples, nada é fácil! E isto deve-se tão somente ao facto do mundo real sermos nós, seres complicados e altamente viciados em ideias preconcebidas, que muitas vezes nem conseguimos entender, mas que deixamos que nos guiem cegamente!

E à medida que crescemos, se bem que começamos por pôr tudo em causa, ousamos e desafiamos regras, rapidamente  o conformismo e a inércia se entranham em nós. Faz parte da evolução pessoal de cada um, para que nos tornemos socialmente aceites. Quem não “joga” assim, fica à margem!

Agora, cerca de 30 anos passados, resolvi fazer um “reset” e ir em busca do meu “eu”, perdido com o passar dos anos. Foi  então que me dei conta que uma parte de mim ficou naquela janela. Não é algo que deva chorar ou lamentar. A vida é mesmo assim! Ou não é? Todos temos que seguir um percurso! E seguramente que cada um terá que encontrar o seu!

A questão é: como devemos encará-lo?! Devemos fazê-lo no encalço de outros, do modo como é suposto e sem margem para desvios ou, antes, devemos ir desbravando caminho, sermos livres para hesitar e voltar atrás, refletir e duvidar?

O que temos que descobrir é: O que é que nos inspira?

E se for olhar para um monte verdejante a perder de vista, então seja!

1 comentário:

  1. O mais difícil é furar o fluzo da multidão que vem em sentido contrário, mas é sempre mais libertador!

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